Coluna do Presidente

A nova política de definição de preços nas refinarias pela Petrobras está baseada na paridade com o mercado internacional, levando em consideração também custos como frete de navios, custos internos de transporte e taxas portuárias, margem que será praticada para remunerar riscos inerentes à operação, como, por exemplo, volatilidade da taxa de câmbio e dos preços sobre estadias em portos e lucro, além de tributos. 

E dessa maneira a companhia tenta mostrar transparência e profissionalismo na gestão desgastada pela Operação Lava-Jato e a antiga política de preços. A diretoria do Sindipetróleo sempre defendeu esse modelo, pois por muito tempo o governo praticou preços menores do que o cenário visto internacionalmente, causando discrepâncias no mercado em geral. E agora com a nova política, mensalmente estamos vendo alterações de preços para cima ou para baixo por conta de reduções e aumentos na refinaria.  

Ocorre que nem sempre essas alterações, principalmente as de redução, chegam aos postos. Pelo contrário: no final do ano tivemos que ir à imprensa e comprovar que apesar da queda do preço anunciada pela refinaria as distribuidoras aumentaram seus preços para os postos. Como atuamos na última fase do processo e temos contato com o consumidor final, acaba por sermos demonizados como se os postos não quisessem repassar as variações. 

A Fecombustíveis, federação que representa os postos nacionalmente, inclusive quanto à informação das alterações de preços, se posicionou junto à Petrobras e esta alterou o modelo de comunicado à imprensa. Desta forma, a companhia passou a informar que os preços são livres e cabe ao
mercado determiná-los. 

A lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados. Portanto, independente das revisões realizadas pela Petrobras, o aumento ou redução dos preços pode ou não refletir no preço final ao consumidor. Afinal, a formatação do preço pelos revendedores depende também de repasses feitos pelas distribuidoras. No mercado local, há a influência da concorrência. Esse cenário de equilíbrio com o mercado internacional nos parece melhor para o mercado em geral, fazendo jus ao mercado livre.

Aldo Locatelli