Perspectivas e dilemas do setor de combustíveis

O que esperar dos “novos” políticos

Tem sido cada vez mais recorrente nos depararmos com vídeos, através das redes sociais, que trazem à tona discussões sobre o futuro do nosso setor. São informações que trazem uma série de questões, tais como: descoberta de mais poços de petróleo, enquanto cresce a demanda pela energia renovável; a busca pela propagação do veículo elétrico e que ele tenha valores mais acessíveis, as discussões sempre acesas
sobre a regulação do setor, uma delas, por exemplo, sobre a possibilidade de venda direta de combustíveis pelas refinarias e usinas aos postos. Tudo isso, acompanhado de certa instabilidade política, econômica e
regulatória do país, complexidade logística e órgãos fiscalizadores cada vez mais atuantes, é exemplo do que nos causa preocupação.

Porém, é cada vez mais raro no nosso dia-a-dia termos tempo para pensar com profundidade nesse futuro que nos aponta tantas mudanças. Afinal, precisamos trabalhar muito para manter nosso negócio. Sobra pouco tempo para refletirmos sobre o que está por vir daqui a dez aos ou mais anos. Digo que temos de viver o agora, mas não perder de vista o futuro.

O que está por vir ora nos parece espetacular, ora nos assombra. Uma coisa é certa: conhecer o setor de combustíveis cada vez mais com certeza será um dos diferenciais. Mas não só isso: para o setor despontar para este futuro cheio de novidades será necessário maior consenso e uma grande coesão entre os agentes
desse processo. Todos precisam refletir sobre a demanda crescente, porém o comportamento do
consumidor tem mudado numa velocidade cada vez maior. Ou prestamos atenção nessas mudanças e nos preparamos ou estaremos fora do mercado.

Alterações significativas no mix de produtos, como o crescimento do consumo do etanol, perante o consumo de gasolina e o percentual cada vez maior da participação 
de biocombustíveis na matriz energia, são ponderações tangíveis e fáceis de entender. Agora quando um jovem faz 18 anos e não tem o menor interesse em ter seu primeiro carro, aí preocupa. Quando cada vez mais pessoas passam a se utilizar de veículos comuns para resolver seus problemas de mobilidade e quando nossas lojas passam a ter significância expressiva no nosso negócio isso tem que merecer nossa atenção. Em São Paulo, já está funcionando a primeira startup que oferece motos 100% elétricas para deslocamento através de um App, e você deixa a moto onde quiser.

Enquanto o Sindipetróleo e a Fecombustíveis continuam a lutar pelo combate ao descaminho e pela regulamentação do setor, tudo isso está acontecendo e a cabe a você, revendedor, decidir de que forma vai reagir: se continua sozinho ou vem para sua entidade que congrega pessoas que enfrentam os mesmos desafios. Entendo que somente através da nossa união poderemos enfrentar esse futuro que está chegando e sair vitoriosos. Pense nisso; será que o individualismo ao qual estamos nos convertendo não vai acabar nos fazendo perecer. Nós? Nós vamos em frente até acharmos o caminho.

Aldo Locatelli