Aumento de preços terá impacto de US$ 1,2 bi no caixa da Petrobras

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O aumento dos preços da gasolina (10%) e diesel (2%) na sexta-feira ainda está sendo digerido pelos analistas do mercado financeiro que acompanham a Petrobras. A constatação unânime é que os novos preços não são suficientes a ponto de trazer um alívio para a empresa, que está às voltas com um bilionário programa de investimentos e tendo que suprir o mercado com importações de gasolina e diesel. Hoje, a demanda é superior à capacidade atual de refino da estatal.

O Credit Suisse estima que o aumento vai gerar uma melhora de apenas US$ 1,2 bilhão no caixa da estatal, em base anualizada, o que significa um acréscimo de US$ 100 milhões por mês. É um resultado modesto, considerando que se trata de um empresa que vale US$ 180 bilhões. Ontem à noite o valor de mercado da companhia estava em R$ 291,207 bilhões, uma perda de R$ 2,95 bilhões em relação ao valor do fechamento na sexta.

"Além disso, o fluxo de caixa marginalmente melhor em 2012 será totalmente consumido na forma de investimentos, que, no nosso ponto de vista, trarão retorno apenas perto de seu custo de capital, na melhor das hipóteses, com benefício mínimo para os acionistas. Assim, a questão mais crítica sobre como o dinheiro (da Petrobras) é gasto pelo acionista (governo) permanece", escreveu o analista Emerson Leite, em relatório enviado a clientes.

Marcus Sequeira, analista do Deutsche Bank, em Nova York, ressaltou que, apesar dos benefícios do aumento sobre o fluxo de caixa, o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da área de refino da Petrobras deve continuar no vermelho, pois o aumento do preço do diesel não foi suficiente e o preço no Brasil continua 14% abaixo do mercado internacional.

Emerson Leite, do Credit Suisse, calcula que mesmo depois do aumento de 2% o diesel ainda é vendido pela Petrobras no Brasil 20% abaixo do preço de referência no mercado internacional. E esse combustível, lembra o analista, é relevante por se tratar de um importante parâmetro para o lucro da companhia.

"Em nossa opinião, isso [o aumento] também pode ampliar a questão da política de preços inconsistentes. A Petrobras vem defendendo que nos últimos oito anos tem buscado uma convergência dos preços a médio prazo para diesel e gasolina, promovendo mudanças quando há novo patamar de preços. Mas podemos dizer que uma mudança de 2% é um novo patamar de preços? Certamente não, então não compreendemos o racional desse valor simbólico", critica Leite.

Ricardo Corrêa, da Corretora Ativa, observou que a decisão do governo de acatar os pedidos da Petrobras para elevar os preços, sempre negados por ela, "pode indicar que o fluxo de caixa da estatal está apertado, comprometendo o volume de investimento para o próximo ano". "Adicionalmente", diz ele, "ressaltamos que a partir deste corte resta pouco espaço para neutralização de novos repasses de eventuais elevações no preço internacional da gasolina ao preço praticado no mercado interno".

O tom das críticas pode ser o motivo que explica a divulgação ontem à tarde de uma nota da estatal repetindo que sua política de preços "consiste no acompanhamento da tendência de médio e longo prazo dos preços internacionais, de forma a manter a competitividade da companhia, mas evitando transferência da volatilidade de preços ao mercado interno".

Valor Econômico